segunda-feira, 1 de julho de 2013

Artigo: Efeitos colaterais

(A) O país está em ebulição. Há alguns dias não sabíamos onde isso tudo iria parar. E continuamos sem saber, mas já vemos algumas coisas acontecerem. Em meio a tanto cartaz, artigos e reportagens, todos parecem, atordoados, tentar entender o que está acontecendo. A presidenta Dilma Rousseff resolveu sair da letargia e propôs medidas, que, por sinal, não foram bem recebidas pela maioria. No Congresso, por exemplo, a Câmara dos Deputados sepultou de vez a PEC 37, que tiraria poderes de investigação do Ministério Público, e o Senado aprovou passe livre e tornou corrupção crime hediondo.

O Judiciário meio que faz de conta que não tem nada com isso, mesmo assim o Supremo Tribunal Federal determinou a prisão de um deputado do PMDB condenado por corrupção.
Muito se fala nos gastos com a Copa 2014, mas dos propalados cerca de R$ 30 bilhões, nos estádios fica a menor parte, já que a maioria das despesas são em obras de mobilidade, aeroportos, etc. Cartazes pelo país pedem escolas e hospitais com "padrão Fifa", em alusão às exigências da entidade para liberação dos estádios por aqui.

Os preços do transporte coletivo, outro fator que provocou as manifestações, diminuiu ou ficou congelado, sem aumento, na maioria das capitais. O custo disso vai continuar sendo de toda a sociedade brasileira através de subsídio dos governos federal, estadual e municipal. Em meio a tantos protestos, o que todos concordam é de que há um esgotamento do sistema atual. Críticas aos políticos estavam em grande parte dos cartazes. A corrupção é um dos pontos mais lembrados por manifestantes no país inteiro.

Mas seriam os políticos ou os partidos responsáveis por todas as mazelas? Se vivemos em uma democracia e todos os políticos com mandato chegaram lá através do voto direto, o sistema todo, da sociedade livre que escolhe seus representantes até os políticos nos mais altos cargos, passando pelo policial, juiz, médico, empresário ou qualquer outra pessoa que não têm a ética como prática comum em seu dia-a-dia.

Como disse a ex-ministra Marina Silva em artigo na Folha de S.Paulo: o poder pode não estar nas mãos de todos, mas ele é, de fato, de todos. A sociedade precisa refletir. Se o político compra voto, é porque tem quem venda; se o desembargador vende sentença, é porque tem quem compre; se o policial recebe propina, é porque tem o motorista que, para fugir da multa, paga; se o médico vende atestado, é porque tem o trabalhador que compra para faltar ao trabalho. Ou o "jeitinho brasileiro" não é uma forma com a qual chamamos as ações para burlar a lei?

Um pequeno grupo de marginais está se aproveitando das manifestações pacíficas por melhorias na sociedade para levar o pânico e o medo às pessoas de bem, tirando um pouco da motivação dos que realmente querem um país melhor. Isso não pode e não deve fazer com que essas maravilhosas manifestações sejam deixadas para trás.

"O pior castigo para aqueles que não gostam de política é ser governado pelos que gostam". A frase do britânico Arnold Toynbee, que uso com certa frequência, ilustra bem a necessidade de todos participarmos do debate e embates políticos sadios em busca de melhorias para nosso país. Se não quer ser candidato ou militante, que escolha bem seus candidatos. Opine, critique, participe. Espero que esse seja um dos efeitos colaterais das manifestações. (Artigo do vereador Lairinho Rosado no jornal O Mossoroense de 30 de junho de 2013).

Um comentário:

leniltonduarte534@gmail.com disse...

Ainda falam que o Brasil acordou,mas a nossa Mossoró ainda continua dormindo. Pois temos a gasolina mais cara do pais, e temos um shopping construído com o nosso dinheiro , e temos a obrigação de pagar estacionamento no mesmo. Alem de lembrar que existe uma lei municipal e foi derrubada por uma liminar. E ai onde fica a lei dessa cidade..