segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Artigo: Fanatismo

(A) Talvez você nunca tenha ouvido falar na Peoples Temple Christian Church Full Gospel, ou Templo dos Povos, e talvez você nunca tenha ouvido falar em Jim Jones. Talvez você já tenha ouvido falar em uma seita religiosa que há algumas décadas cometeu suicídio coletivo, onde o resultado foi mais de 900 pessoas mortas. E pior, Jim não estava só. Outros também provocaram suicídio coletivo ao longo da história.

Alimentado por pensamentos irracionais absolutistas, os fanáticos pensam estar servindo à Verdade, a um ser supremo, com foco na destruição do "mal" a qualquer custo. Só ele, fanático irracional, está certo. Todo o resto está errado. Como dizia Jean-Paul Sartre, "o inferno são os outros". O fanático se acha acima do bem e do mal e é responsabilidade dele salvar a humanidade.

Engana-se, porém, quem acha que só há fanatismo na religião. Quando vemos torcidas rivais tentando tirar a vida uns dos outros nos estádios de futebol, brancos querendo cercear direitos ou matar negros, seguidores políticos de um determinado líder agredindo violentamente seus opositores, não estamos falando de fanatismo? O fanático pode ser qualquer coisa, menos racional.

Todo e qualquer fanatismo é uma espécie de fuga da realidade. Quanto mais preparado o fanático, mais perigoso ele se torna. Já escrevi outras vezes sobre o livro "A Era do Radicalismo", que aponta para a tese de que pessoas com o mesmo pensamento quando estão juntas potencializam esse pensamento. Não seria diferente com os fanáticos. Se incentivados, então, é um desastre total. O bom senso é deixado de lado, mas sua inteligência não é afetada.

Voltando ao que disse Sartre, não podemos depositar na conta dos outros toda a culpa de nossos infortúnios ou vitórias, mas é inegável que nas relações humanas há o bônus e o ônus. O ódio e o amor, a traição e a confiança, a ingratidão e a gratidão estarão sempre presentes. Não se pode condicionar paraíso ou inferno aos outros. Os fanáticos, tenho absoluta convicção, são os que mais sofrem com seu próprio veneno.

Na política, tema sobre o qual costumeiramente escrevo aqui, há muita ingratidão, traição, mentira, sujeira, mas há nela também amigos verdadeiros, fidelidade, realização em ver os bons trabalhos realizados. Há, é claro, os fanáticos, que, se antigamente ficavam nas esquinas difamando e agredindo, hoje estão muito mais nas redes sociais. Agridem, esquecendo que há pais, filhos, irmãos e amigos que se sentem agredidos com tanto ódio e rancor.

Essas pessoas lambuzam-se com o próprio ódio, construindo um mundo de fantasia em torno delas, onde "o inferno são os outros". Quando o fanatismo está presente, o maior derrotado é sempre o bom senso. (Artigo do vereador Lairinho Rosado publicado no jornal o Mossoroense de 10 de novembro de 2013).

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