segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Artigo: "Larissa"

(A) Apesar de sempre ter gostado de escrever, não me considero um bom escritor. Redigi textos, muitas vezes fiz artigos, até poesia, imaginem só, e depois apaguei. Não sei se o medo da reprovação ou a simples timidez, mas o fato é que comumente apagava o que escrevia. Há alguns textos guardados a sete chaves em "arquivos secretos" para um dia, quem sabe, serem abertos.

Sou uma pessoa que agradece a Deus todos os dias pelas coisas que a vida me deu e me dá. As boas e as não tão boas. Faço isso porque acredito que as coisas boas e até os maus momentos, as tristezas, as derrotas, as frustrações e injustiças servem de alguma forma para o nosso aprendizado. Eu sempre tive tudo que precisei e boa parte do que quis. Por que não agradecer? Com cada pouquinho de maturidade adquirida ano a ano, expandi minhas crenças e isso me faz agradecer mais ainda.

Ao longo da vida, conheci muita gente. Morei em diferentes cidades, estados e até em outro país. Posso dizer que rodei metade do mundo. Mas não há nada, afirmo com convicção, como a família. Viajar é bom, mas voltar pra casa é melhor ainda. Quando se tem uma família unida, formada por pessoas de bem que se amam, melhor ainda. Na minha família, todos são especiais pra mim. Minha filha ou meu sobrinho mais novo, minha avó ou minhas tias e tios-avós. Sou ainda mais feliz porque considero ter tido três mães. 

Minha mãe, Sandra Rosado, que é, com suas virtudes e defeitos, uma fortaleza que ajuda e luta pelo bem, Antonia Senhora, ou simplesmente "Iá", que ajudou na minha criação até meus vinte anos e tem lugar guardado em meu coração, e minha irmã Larissa. Fiz toda essa introdução que tomou metade do espaço para falar desta última e não menos importante "mãe" que eu tenho. 

Uma menina que aos doze anos fazia a feira da casa para ajudar os pais, que pela medicina ou pela política estava no meio do mundo; uma menina que ia ao colégio tratar com coordenadores e professores os problemas dos irmãos mais novos; uma menina que sempre foi e sempre será minha parceira nas alegrias e tristezas; uma menina meiga, simples acima de tudo, que é capaz de tirar de seus filhos para dar aos mais necessitados; uma menina que foi mãe de leite de outras crianças; uma menina que Mossoró conhece e chama-a carinhosamente de "Guerreirinha"; uma menina que faz política com amor, com paixão, por que acredita que a política pode ser uma ferramenta de transformação para melhorar a vida das pessoas; uma menina que não tem medo de abusos, que enfrentou uma campanha política com um filho no ventre e teve que ver agressões como, por exemplo, um enterro simbólico do próprio filho, patrocinado por adversários políticos, que diziam que ela inventara a gravidez, e ainda assim, de cabeça erguida, nunca perdeu a fé em Deus nem perdeu a paz que carrega dentro de si e contagia todos aqueles que estão perto dela! 

Larissa é, apesar do pouco mais de metro e meio de altura, uma gigante! Uma mulher de fé, de palavra, de amor dentro do coração! São poucas as pessoas que conheço capazes de amar, mesmo os que tentam atingi-la, como Larissa. Na vida da gente vemos gente boa ganhar e perder, gente ruim ganhar e perder, mas o que vale de verdade é a nossa paz de espírito, a nossa consciência. Larissa recebeu nesta semana um dos mais duros e baixos golpes contra si, uma injustiça sem tamanho. Seria como condenar Davi por abuso, mesmo que Golias tivesse vencido a batalha entre os Filisteus e o povo de Israel. De cabeça erguida, apenas disse que tinha paz no coração e muita fé em Deus.

Nossa passagem por esta vida deve servir de aprendizado. Se acreditamos que nada há após a morte, a vida da gente tenderia a ser apenas de gozos, excessos e nenhuma caridade e bondade. Havemos de tirar algo de bom de todas as experiências vividas, sejam elas quais forem. Da experiência de conviver com Larissa, eu tiro lições a cada dia. A humildade, simplicidade, carinho e amor ao próximo são as mais fortes. Cabeça erguida, como sempre, Larissa, e vamos pra frente. Você tem sua família, os amigos e todo o povo de Mossoró que reconhece a pessoa maravilhosa que você é. (Artigo do vereador Lairinho Rosado no jornal O Mossoroense de 22 de dezembro de 2013).

Um comentário:

Sâmara Cortez disse...

Me emocionei, não conheço você, mas percebi o quanto ama Larissa, acredite! Fiquei muito triste por ela ter perdido a campanha, quase não consegui dormir naquela terrível noite, votei de graça, pois acreditava que tudo seria melhor. Fique com Deus, porém percebi que a sua seriedade é apenas timidez.