segunda-feira, 10 de março de 2014

Artigo: Planejar e participar

(A) Da organização de uma maratona, passando pela administração de uma bodega, até gerir uma cidade do porte de São Paulo, é imprescindível a utilização de processos de gestão e planejamento estratégico. A utilização de ferramentas como os processos ajudam no controle da execução das atividades, evolução de obras, retorno obtido. Os gestores precisam ser responsáveis, pensar grande, no futuro, e buscar soluções permanentes e não paliativas.

Na última sexta-feira assisti a uma palestra da professora Karisa Pinheiro sobre Planejamento Urbanístico e Ambiental, em que todos tiveram a oportunidade de ver a importância de se analisar as nuances dos projetos, no caso, urbanísticos. Você já parou para pensar, por exemplo, que ao construir um prédio onde havia uma casa em um bairro nobre, aquele mesmo espaço de terra que era utilizado por cinco pessoas, será agora utilizado por, quem sabe, cento e cinquenta?

Se no lugar de uma casa for construído um prédio de quinze andares, dois apartamentos por andar, supondo que temos cinco pessoas por família e cada família possui dois carros, teremos não mais dois carros, mas sessenta. Isso serve também, para efeito de análise, para construção às margens dos rios, estradas, áreas de preservação ambiental e assim por diante. Como sair por aí simplesmente construindo sem um mínimo de planejamento?

Vejamos o caso da Unidade de Pronto Atendimento - UPA construída no bairro Belo Horizonte. Parte da construção do prédio foi feita em quatro anos. Começou em 2008 e foi "inaugurado" em dezembro de 2012. A obra não estava pronta. Não tinha parte elétrica nem de saneamento concluída. A prefeita cassada e afastada Cláudia Regina passou um ano no cargo e não colocou para funcionar. Afastada do cargo, disse que seria irresponsabilidade do prefeito interino colocar para funcionar sem condições para tal.

O prefeito interino colocou para funcionar semligação a uma rede de saneamento apta para receber os dejetos. Onde está a irresponsabilidade no caso da UPA? Em quem inaugurou sem estar pronta? Em quem teve um ano para pôr para funcionar e não o fez? Em quem colocou para funcionar sem as condições sanitárias? Sou defensor ferrenho da gestão participativa, mas digo participativa de verdade e não de faz de conta. A lei que cria o Orçamento Participativo em Mossoró, inclusive, é de autoria de nosso mandato. Outro ponto que defendo é a transparência nas contas públicas e na gestão como um todo.

A população deveria ser informada não só sobre as contas públicas, mas também o andamento de obras, contratações de mão de obra terceirizada, compras etc, etc, etc. Como ser um bom gestor se não se dá ouvidos à população? E se não se preocupa com a sustentabilidade? Permitir novas construções às margens dos rios nos dias atuais, prédios em encostas, fazer no próprio município ligação clandestina na rede de saneamento básico são coisas impensáveis em uma cidade onde a gestão transparente e participativa exista. E isso deveria ser regra em pleno século XXI.

A sociedade, inerte, tem também sua parcela de culpa. Não cobrando transparência, recebendo favores em troca de silêncio, jogar lixo nas ruas, não respeitar regras de civilidade, não participar de audiências públicas para discutir o futuro de vários setores da cidade e, principalmente, vendendo o voto, está contribuindo não para a melhoria da cidade, mas para a perpetuação do mesmo modelo que vemtornando a vida nas cidades, principalmente para aqueles mais humildes, cada vez mais difícil.

Culpar o poder público é fácil. Difícil parece ser exercer a cidadania em sua forma plena, com direitos e deveres, participando, cobrando e cada um, gestor e população, fazendo a sua parte. (Artigo do vereador Lairinho Rosado no jornal O Mossoroense de 09 de março de 2014).

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