segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Artigo: O governo do engodo

(A) Apesar de ocupar mandato eletivo desde o ano 2000, o atual prefeito de Mossoró se apresentou como “o novo” na eleição suplementar deste ano. Mesmo falando muito em economia, logo após a eleição suplementar enviou reforma administrativa para a Câmara aumentando o número de cargos comissionados. As despesas com mão de obra terceirizada também nunca estiveram tão altas. 

Apesar de não parar de dizer ser “um político diferente”, o relacionamento com a Câmara Municipal é dos mais antiquados. Loteou cargos comissionados, dando cota de cargos para cada vereador que o apoiasse. Dependendo da influência do vereador, a quantidade vai do “piso” ao “o céu é o limite”. Trata com mão de ferro aqueles que não seguem sua orientação.

A base governista já sepultou duas tentativas de criação da CPI que tinham como objetivo averiguar acusações do próprio prefeito, além de derrubar requerimentos que tratem de transparência. Para piorar, desautoriza, desmente e humilha a bancada quando erra na dose na tentativa de defender o governo. Basta ver o caso envolvendo a Uern e a “compra de vereadores”, acusação feita pela candidata do prefeito ao Senado.

Criou a Secretaria da Transparência, mas orienta a bancada na Câmara a derrubar tudo que peça informação ao Executivo; recebeu a auditoria da Uern sobre a folha de pagamento em junho, mas só essa semana, após pedido do Ministério Público, entregou cópia; impediu que vereadores acompanhassem a tal auditoria e também se recusou a entregar cópia ao Legislativo; determinou a mudança no site de Lei de Acesso à Informação, dificultando o acesso da população às informações sobre salário dos servidores. 

Agora quem quiser saber quanto ganha um funcionário público municipal precisa informar o próprio nome, CPF, e-mail, endereço, cidade e Estado, dados que podem ser repassados a quem tiver o nome consultado no site. Também não é mais possível ver a relação dos funcionários por órgão da administração, dificultando o conhecimento de quem está lotado em determinado local de trabalho.

O prefeito também disse em recente reunião política, gravada por participantes e nas redes sociais que Mossoró iria entrar para a história como a cidade onde sobravam médicos e faltavam pacientes. Aqui, disse o prefeito, os médicos é que formam fila esperando os doentes. Disse que a prioridade é a saúde, mas, por exemplo, a Maternidade Almeida Castro, que faz em média 600 partos por mês, recebeu R$ 3.843.586,26 da PMM em 2014, enquanto isso a empresa Gondim & Garcia, que realiza as festas da Prefeitura, recebeu R$ 4.602.955,02 no mesmo período. R$ 760 mil a mais para festas do que para as gestantes. Parece um show de humor. Seria, se não fosse trágico. 

Os médicos do Hospital do Câncer estão de braços cruzados por que não recebem seus pagamentos do SUS, dinheiro repassado pelo Governo Federal aos municípios para que estes paguem pelos serviços médicos, há sete meses. Quem também está de braços cruzados são os obstetras, não recebem há cinco meses, e os anestesiologistas. Vê-se logo que saúde não é prioridade, pois pela primeira vez desde a criação, faltaram médicos nas UPAs. 

O prefeito também prometeu economizar na propaganda. Vamos aos dados: em 2013 a média mensal de gastos com propaganda ficou em R$ 494 mil por mês, este ano a média está em R$ 606 mil/mês. A velha prática de cortar verba publicitária para o veículo que faz crítica e não elogia por elogiar a gestão também persiste na gestão do “novo”. Quando assumiu interinamente a Prefeitura, Francisco José disse que ia devolver carros alugados para economizar. Vamos mais uma vez aos números: em 2013 o gasto mensal com aluguel de carros ficou em R$ 357 mil por mês, em 2014 esse valor está em R$ 541 mil/mês. 

O discurso de que melhoraria a segurança do mossoroense já foi por água abaixo. Nunca vivemos um momento de tanta violência em nossa cidade. A avaliação popular despenca na medida em que o tempo passa. Aos poucos a população vai percebendo que pode ter comprado gato por lebre. O discurso fácil cai ajoelhado diante da realidade do dia a dia, das necessidades do cidadão que não encontra nos serviços públicos aquilo que foi prometido nos discursos, puro engodo eleitoral. (Artigo do vereador Lairinho Rosado no jornal O Mossoroense de 07 de setembro de 2014).

Nenhum comentário: