segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Artigo: Saúde doente

(A) Todo ano eleitoral é a mesma coisa. O grupo político que está no comando da Prefeitura de Mossoró atrasa repasses do SUS para a Casa de Saúde Dix-sept Rosado e Maternidade Almeida Castro no intuito de dificultar o funcionamento do hospital. Como cerca de 90% da receita da unidade é proveniente do Sistema Único de Saúde, os problemas surgem. E há um único objetivo: tentar, através de uma política pequena e perversa, denegrir a imagem do grupo político adversário.

Pequena e perversa porque os maiores prejudicados são os bebês que ainda não nasceram e suas famílias. Foi assim nas últimas gestões do DEM e está sendo assim hoje na gestão do prefeito tampão Francisco José Júnior. Enquanto isso, nas Unidades Básicas de Saúde falta de tudo um muito. Médicos e medicamentos, para ser objetivo, é o que falta. Como se pode imaginar um posto de saúde sem médico ou medicamento? Do que adianta empurrar milhões para uma empresa terceirizada administrar a UPA do bairro Belo Horizonte, se nas outras UPAs falta até médico? 

Na zona rural a situação é muito pior. Há comunidades que há meses não recebe a visita de um único médico sequer. O grande problema da saúde pública no Brasil está no atendimento básico. Se uma dor de estômago, enxaqueca, torção no tornozelo ou qualquer outro problema de menor gravidade não são tratados no atendimento básico, os serviços de emergência serão procurados, causando lotação e deficiência no atendimento. Voltando à Maternidade Almeida Castro, que realiza uma média de 600 partos por mês, é interessante observar um comparativo. O hospital recebeu em 2014 um total de R$ 3,8 milhões por todos os serviços prestados ao SUS. 

Sabem quanto recebeu no mesmo período a empresa Gondim & Garcia, que faz as festas da prefeitura? R$ 4,6 milhões em 2014. Sabem quanto já foi gasto pela Secretaria de Comunicação do Município? R$ 4,85 milhões. Qual a prioridade? Os médicos oncologistas, obstetras, anestesiologistas estão todos sem atender pelo SUS por atrasos do pagamento por parte da Prefeitura de Mossoró, que chegam a 10 meses sem receber seus salários. Os recursos são enviados pelo Governo Federal rigorosamente em dia, mas, sabe-se lá por que, o município não repassa aos médicos. 

Como já foi dito anteriormente, pela primeira vez na história desde que foi inaugurada a primeira Unidade de Pronto Atendimento em Mossoró faltou médicos para atender a população. Enquanto isso, o prefeito postava nas redes sociais que por aqui o que faltavam eram pacientes e os médicos estavam fazendo fila para esperar pela população. Enquanto a saúde não for tratada como prioridade e enquanto a politicagem barata, típica dos déspotas, for misturada com gestão pública, veremos barbaridades como essas assolarem nossas cidades. 

Não se pode levar a sério uma gestão onde principalmente segurança, saúde, educação não são prioridades. O reflexo disso está no péssimo serviço prestado à população. Por isso, 76% da população considera ruim e péssimo a gestão com relação à segurança pública, 66% considera ruim e péssimo a gestão da saúde e 61% desaprovam a gestão da educação. Essa semana um jornalista foi processado pelo prefeito por ter feito uma matéria sobre a atitude da gestão, que resolveu colocar um timbre da PMM nos caixões doados às pessoas de baixa renda. 

Também processou um cidadão, segundo noticiou a imprensa, por fazer críticas e reclamações via redes sociais. O caminho não é sair processando Deus e o mundo para intimidar; não é perseguir veículos de imprensa que não elogiam; não é fechar hospitais. Mossoró viu isso, e reprovou, não muito tempo atrás. Um grande erro dos maus gestores é cercar-se de pessoas que só dizem o que agrada aos ouvidos do patrão, deixando de mostrar os problemas enfrentados pelas pessoas. Humildade, pé no chão e disposição de mudar o que está errado é o caminho daqueles comprometidos com a democracia e gestão participativa. (Artigo do vereador Lairinho Rosado no jornal O Mossoroense de 21 de setembro de 2014).

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